Passei boa parte dos últimos sessenta dias na internet. Lendo, pesquisando, colhendo dados, assistindo vídeos e escrevendo meus textos.
O saldo foi positivo. Muitas foram às mensagens de carinho e agradecimento. Outras, evidentemente discordando.
Para um blogueiro regional e sem o domínio total da tecnologia dos blogs, sinto-me recompensado pelos quase 4.000 leitores dos meus textos, dos quais muitos do exterior (Estados Unidos, Canadá, Suíça, Suécia, Portugal, Argentina, Reino Unido, Alemanha, França, Irlanda, Itália e até a pequena ilha de Guadalupe). A todos o meu obrigado.
Apesar de algumas discordâncias, pautei os meus artigos em fatos reais, comprovados e também em vídeos onde os protagonistas falam por si mesmo.
Fiz o que me consciência mandou. Denunciei. Contestei. Tentei sim, de alguma forma, mostrar a alguns eleitores o melhor caminho para a manutenção da democracia.
Nunca acreditei e continuo não acreditando no PT como uma instituição democrática plena. As práticas são diferentes dos discursos. Os fatos recentes assim demonstram e confirmam.
Não coaduno com aqueles, e principalmente os institutos de pesquisas, que dão ao governo Lula um índice de 83% de popularidade. Acho que confundem popularidade com populismo.
Não faço o contraditório por fazer. Não nego alguns avanços do governo. Alias, é mais do que obrigação.
Mas como cidadão, sinto indignação com as práticas adotadas. Os fins não justificam os meios.
O PT tem uma longa folha corrida marcada por comportamento violento, autoritário e reprovável, que originam de suas raízes sindicais.
Mesmo tendo chegado ao poder, parte da militância do PT e dos seus líderes não abandonou até hoje de métodos e de práticas contrárias a democracia.
Uma vez no poder, vale tudo para permanecer ali.
Vale o presidente da República escolher sozinho a candidata do seu partido.
Vale ignorar a Constituição e deflagrar a campanha antes da data prevista.
Vale debochar da Justiça.
Vale socorrer-se sem pudor da máquina pública para fins que contrariam as leis.
Vale intimidar a Polícia Federal para que retarde investigações que possam lhe causar embaraços.
A soberba do presidente Lula extrapolou todos os limites.
Ele foi a Juiz de Fora e advertiu os mineiros: seria melhor para eles elegerem um governador do mesmo grupo político de Dilma.
Foi a Santa Catarina e pregou irado a pura e simples extirpação do DEM.
Foi a São Paulo, investiu contra a imprensa e declarou: "A opinião pública somos nós".
O que o presidente Lula disse a respeito do episódio do Rio protagonizado por Serra e por militantes do PT só confirma uma vez mais o quanto ele se comporta de uma maneira contrária a um democrata que ocupe a cadeira da Presidência da República por quase oito anos.
Lula foi sarcástico quando deveria ter sido solidário com Serra. Mas conforme matéria publicada nesse blog, os que bateram aparecem abraçados com Lula em vídeo.
No dia sete de setembro, o presidente falou à nação no programa eleitoral do PT. Usou o peso da Presidência da República para proteger sua candidata e ser conivente com a operação abafa da Receita Federal. Atacou Serra por denunciar as violações ocorridas, e transformou a vítima em criminoso.
Foi tolerante e cúmplice da desordem quando deveria tê-la condenado com veemência.
Foi cabo eleitoral de Dilma quando deveria ter sido presidente da República no exercício pleno da função.
Popularidade e populismo são coisas passageiras. Grandeza, não. É eterno. Sobrevive à morte de quem a ostentou.
Hitler e Mussolini foram populares. Nem por isso passaram à história como políticos de grandeza.
No seu tempo, Fernando Collor e José Sarney, aliados de Lula, desfrutaram, por curtos períodos de intensa popularidade. Tancredo Neves foi grande, Fernando Henrique Cardoso é grande.
Grandeza tem a ver com caráter, nobreza, e ética.
Assistindo ontem ao Jornal Nacional da Rede Globo, quando da apresentação de parte da história de vida da presidente eleita, um fato me chamou a atenção. Foi quando o tradutor das correspondências enviadas ao seu irmão na Bulgária, afirmou em alto e bom som, que a cidadã brasileira Dilma Rousseff enviou maços de dinheiro, nas correspondências, para ajudar o irmão que se encontrava em dificuldades financeiras.
Sem dúvida um belo gesto de solidariedade. Mas fica uma dúvida: É permitido fazer remessa em moeda estrangeira por correspondência? Os impostos foram recolhidos? As remessas não deveriam ter sido feitas por uma instituição financeira autorizada a operar em câmbio? Bem, como sou leigo no assunto, faço esses questionamentos. Com as respostas o Banco Central e a Receita Federal.
Como cidadão, desejo a presidente eleita que conduza os destinos da nação pautados no respeito às leis, a constituição, a justiça e a moralidade pública.
Ronaldo Mendes


